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Enchentes e morros

Pois é, entra ano e sai ano e a mesma coisa...enchentes e morros desabando e vidas ceifadas. A parte dos méritos e desméritos cármico de cada um, nada nesta hora deve justificar o sofrimento dos que ficam e enterram seus entes. Alguns acham que a quantidade de chuvas é fato isolado e leva a tragédia ao acaso dos infortúnios da vida, e que até pode ser mesmo pelas mudanças climáticas, mas eu estou convencido que tudo isso é reflexo de um processo social degradado, tipo cachorro correndo atrás do rabo. Não sei onde começar, mas qualquer lado desta ciranda justifica o outro.
De um lado do ring, o governo não investe nem fiscaliza as moradias bem estruturadas (vide BNH ou Cingapura a porcaria que é), corrupção, CPIs e dinheiro em cuecas a rodo, superfaturamento de obras, duplicação de salários, e ainda sim se diz que não há verbas necessárias para uma urbanística. Do outro lado, o povo se instala nos locais perigosos pela falta de opção nas grandes cidades, ou melhor, falta de acesso devido aos altos preços de aluguéis. E todos no fim das contas fazem vista grossa ao caso, afinal, só foi uma vez ao ano e tudo volta ao normal em breve, daqui a pouco é carnaval, as pessoas esquecem e compram tudo novamente, reconstroem suas vidas e se acontecer de novo, justificamos de alguma forma, atribui ao destino ou julgamento divino. 
No Brasil temos um péssimo hábito que é de contar com ajuda divina pra tudo, como se Deus tivesse o peso e responsabilidade por tudo, até pelos nossos desleixos. "ah minha filha, se Deus quiser a vida no morro não desaba não"...e por ai vai...muitas pessoas não quiseram deixar suas moradias... é de se compreender a vida sofrida, e seria injusto atribuir apenas a sorte ou a vontade divina do destino os nossos percursos pessoais. Nós somos responsáveis pela vida aqui e agora. O que se precisa criar é a cultura da compreensão e das escolhas, das responsabilidades pessoais e não terceirizadas, aliás devia ensinar isso nas escolas. Mas isto é outro papo. Apenas o que gostaria é de me solidarizar mesmo que em pensamento, transmitindo bons méritos aos atingidos pela chuva. A solidariedade dos brasileiros é incrível, nesta hora todos se conhecem como família... de qualquer forma, para mim é claro que o processo social urbanístico está em desenfreado, desordenado, não se pensa em organização habitacional... e somado as mudanças climáticas que temos enfrentado, ai a maionese desanda de vez...

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