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Overcars

Pois é, estamos numa overdose de carros na rua. Há um descompasso, uma conta que não fecha - carro x metro quadrado das cidades. De um lado o Governo incentiva as vendas, juros zeros, financiamentos. Do outro lado, milhares de trabalhadores dependem da venda dos carros para sobreviver. (indústria, concessionárias etc). E cai a chuva de carros a cada dia. Só em SP são cerca de 600 por dia, 1800 por mês! Depois vem a reclamação que tem muito trânsito na rua... Ué, mas não incentivaram a comprar? Comprei. E agora José, havia um carro no meio do caminho.



Parece um cachorro correndo atrás do rabo.
E ai me pergunto, de quem é a responsabilidade do trânsito? dos que compram, das industrias e governo que incentivam, do falho sistema de transporte?
Minha cidade natal por exemplo, Santos, está se verticalizando brutalmente. Oras, Santos é uma ilha, quanto mais prédios, mais famílias, mais carro e mais congestionamentos, as ruas vão se alagar de carros e não  há para onde correr, é ilha... Na rua da minha mãe só tinham casas, agora tem três prédios de alto padrão. Onde moravam 10 famílias, agora serão centenas de pessoas. E cada um com um carro.
Na minha percepção, o brasileiro tem uma resistência ao transporte público, principalmente a classe média/alta. Tudo bem que nossos sistema de ônibus e metrôs são precários. Mas a vaidade brazuca diz que ônibus e metrô é coisa do povão. Soma isso a insegurança na rua. Ai, a mesma classe vai à Paris e anda lindamente nos metros e acha o máximo. Mas é incapaz de deixar seu carro em casa. Mas também, quem se aventura nos ônibus que não tem indicação de hora e trajeto, parecem carroças lotadas? Aliás, um pau fincado na calçada é o ponto de ônibus.

Em Paris, Londres, NY ou Tóquio, o assunto é levado a sério. Tudo bem que seus metrôs tem mais de cem anos. Mas há alternativas. E idéias para copiar é que não faltam. E falta o que então? Em algumas cidades da França começou o Autolib, usa o mesmo conceito das bicicletas alugadas chamadas Velib - você pega uma bike, paga pelo periodo e pode largar em centenas de pontos de devolução. Usa o quanto precisa.


Comecei a trabalhar no aeroporto de Guarulhos (SP) em 1994 e na época havia uma placa logo depois do Terminal 2 escrito - futuras instalações do Metrô. Até agora nada. Bastava um metrô de superfície ligando as estações mais próximas como Tietê ou Tatuapé e facilitar a viagem dos passageiros até o Aeroporto. Em Paris é assim. Não precisa ser subterrâneo, de alto custo. Mas transporte direto, prático e rápido parece que incomoda as empresas de táxi e a única de ônibus do aeroporto. Aliás nosso cartão postal saindo deste aeroporto é o máximo, é cercado de três presídios. Isso mesmo...repare na próxima vez, sem falar nas favelas da Marginal Tietê.
A Copa e os Jogos Olímpicos estão ai. Em 3 anos nada vai ser feito. Vamos ler este post em 2014 e ai a gente volta a conversar.

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