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Caroneiros do ar

Semana passada nós tripulantes e funcionários de companhias aéreas fomos vitimas de um insulto infame e primário de um dito jornalista, Eduardo Tessler. No seu site ele diz ser diretor na área de Marketing e Mídia.





Leia a matéria dele

Pois bem, nem foi preciso dizer que a repercussão foi geral e disseminadora nas redes sociais. Não houve pelo visto até agora uma retratação e pedido de desculpas. O Sindicato dos Aeronautas foi notificado.

Na mesma hora que li no Facebook, fiz minha resposta que enviei por email e claro, não recebi retorno.

"Muito me admira sua ignorância sobre o assunto aviação, sem precedentes sobre os chamados "caroneiros". Tenho 22 anos de turismo, 14 de voo e permito-me no direito de comentar sua infeliz matéria.

Fazer filas de 1 a 15 é um procedimento lógico de ocupação dos assentos: preencher a cabine de trás para frente a fim de não congestionar os corredores, assim como um copo d'água vem do fundo à tona. Se todos compreendessem e respeitassem esse gesto tão simples e que mundialmente é adotada, não haveria tumultos de embarque. Mas parece que com a moda do "tô pagando" pouco importa qualquer procedimento, até mesmo os procedimentos de segurança a bordo.

Os seus chamados "caroneiros" são funcionários e tripulantes que, por direito adquirido e beneficiado previsto pela IATA e pelas próprias companhias aéreas no mundo todo, permitem descontos em bilhetes na condição de embarque apenas se sobrar lugar. Logo, não há nada anormal ser beneficiado dos próprios serviços das empresas em que se trabalha, seja qual for a área. O embarque dos seus "caroneiros" não penaliza nenhum passageiro pagante, tenha absoluta certeza.

Sua matéria apresenta uma dose de inveja ou dor de cotovelo, pois o senhor mesmo não tem os seus benefícios onde trabalha, ou no mínimo tentaria algum préstimo ou vantagem? Tenho certeza que se tivesse um amigo piloto e lhe oferecesse uma passagem pra NY por 100 dólares, iria recusar. E é válido até mesmo classe executiva baseado em tabelas de porcentagens permitida pela IATA e oficializada pelas empresas.

São os retornos de um árduo e complexo trabalho chamado aviação. Ou o senhor prevê o trabalho apenas de salário e ponto final? Empresas que pensam na boa qualidade de vida de seus funcionários bonificando com os mais variados mimos eleva o engajamento profissional, gera mais respeito entre as relações trabalhistas e retorna melhor a produtividade. Todos ganham.

Infelizmente, matérias assim difamam e diminuem o valor do nosso trabalho, aliás especulam a aviação diminuindo toda uma engenharia operacional fantástica à uma barrinha de cereal em tons superficiais de reportagem. Os procedimentos aéreos são sérios, feitos de grande inteligência e marca a história na trajetória da humanidade. Os erros do passado porém serviram para as certezas atuais. Mas parece que de médico e louco todo mundo tem um pouco, e agora de aviação também, não é mesmo?

Que meu email sirva para esclarecer uma matéria cujo conteúdo foi difamar as pessoas pelos seus benefícios, mesmo porque são trabalhadores e nada de mal fizeram ao senhor ou a qualquer outro passageiro.

Sem mais"


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