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Metrô ou não metrô, eis a questão

E o outro tópico da semana foi a polêmica desistência do Metrô em construir uma estação no bairro Higienópolis em São Paulo.
A simples frase de uma moradora em chamar de "pessoas diferenciadas", dizer que camelôs e roubos aumentariam o dessossego dos seus moradores foi suficiente para explodir uma onda de revolta contra a burguesia paulistana. Onde estão os reais valores da cidadania e coletividade? Vivemos uma preconceituosa e taxativa maneira de diminuir os usuários de metrô de baderneiros ou indesejáveis no bairro apenas por se servirem do "transporte público". Este termo tem uma péssima conotação no Brasil. Uma vez, brincando com amigos eu disse que tinha o bilhete único e fui motivo de chacota.


Em que fase da vida humana estamos? encontrei essa arte acima no blog de uma amiga e me pôs bem a refletir este ciclo de desperdício e consumismo deliberado, desmerecendo os reais valores humanos.

Curioso ver que em países mais avançados socialmente nas últimas décadas, quanto menos diferenças sociais, menos intolerância e mais respeito a individualidade. Observemos Dinamarca, Holanda, Suécia, Japão entre outros mesmo tendo seus pequenos problemas sociais.

Agora, dá uma olhada no mapa de linhas do metrô parisiense. Até mesmo nos bairros mais chiques não ameaçam em nada seus moradores. É totalmente cultural, o metrô foi criado há mais de cem anos, as linhas férreas na Europa e EUA tem mais de 150 anos e todos usavam, sejam ricos em primeira classe ou pobres.


Porque precisamos no Brasil essa resistência em ver que transporte e valorizar o transporte individual? Uma das leituras que faço é pela simples razão: ser diferente do outro me faz sentir bem e portanto é preciso distanciá-lo para ser exclusivo. É uma bela falta de autoestima. Há um contexto histórico-cultural desde a nossa colonização (casa grande e senzala) que se transfere de forma silenciosa no comportamento pessoal. Leia o 1808 e O que faz o Brasil, Brasil

Hoje lendo a Folha de SP achei uma ótima reflexão do jornalista Luiz Carvesan e convido os meus caros leitores a lerem. Nem tudo no Brasil é gentil, bacana e aberto. Chego a conclusão que fatos como o reconhecimento de união gay e o recente fato do metrô paulista, muitos brasileiros são preconceituosos, machistas e intolerantes. Ser um pais emergente é apenas na esfera econômica? E no ambiente social de respeito, à igualdade, ao coletivo, ao todo? Somos interdependentes, se alguém reprova uma atitude gay, deve lembrar que o vendedor da loja que se comprou a roupa é gay e foi muito gentil e o jeito dele lhe cativou. Se alguém reprova um negro, não se esqueça que o funcionário do supermercado levou as mercadorias que você comprou.


A partir daí vamos pra outros aspectos da vida: reciclagem de lixo, desperdício de água, uso de carro desnecessidade e ai voltamos ao assunto "metrô". Muitas vezes, nosso comodismo e conforto desprezam totalmente a responsabilidade com o meio ambiente e o próximo.

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