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Cool Japan 2012 - O roteiro

Abril é uma excelente época para viajar, nem frio, nem quente e as cerejeiras proporcionam um cenário belíssimo. Neste ano, viajei por quinze dias iniciando por Quioto seguindo até o monte Fuji, a cidade de Nikko e finalizando em Tóquio. Confira o diário!





Quioto
01/04/2012

Esta é a terceira vez que vou ao Japão. Em 2008 fiz outras cidades como Hiroshima, Himeji, Uji, Kamakura, Miyajima e Tóquio, na primavera e outono. Cheguei pelo aeroporto de Osaka num voo lotado e ao lado de um casal simpático de velhinhos japoneses, até tentamos nos comunicar, eu com meu japonês e eles com o inglês, ambos macarrônicos. Como é bom retornar a esta terra, hoje sinto-me à vontade em tomar um trem ou andar pelas ruas. Quioto é uma cidade de contemplação, há centenas de templos budistas e xintoístas. Confira os que conheci na outra viagem neste post.



Meu primeiro dia na cidade foi no templo budista Higashi Honganji para a Cerimonia de Primavera. Um belo dia de sol e pouco frio. E no fim de tarde, um passeio pelo bairro Gion, tentar ver as gueixas saírem pelas ruas e irem aos jantares.

Templo budista Higashi Honganji

Bairro Gion

Terça-feira foi praticamente um dia de muita chuva e ventania, o que atrasou minha saída e alterou alguns planos. Então, fazer passeios "indoor" e a apresentação Miyako Odori eram uma boa pedida, algo que estava ansioso para ver desde a ultima viagem. O teatro fica no bairro Gion, estava lotado e poucos estrangeiros. Infelizmente não pode tirar fotos ou filmar, mas é incrível a apresentação de dezenas de "maikos" (uma etapa antes de ser gueixa) em 8 cenas representando as estações do ano até chegar a primavera. Confira aqui neste vídeo. Comprei o ingresso mais barato (2000 ienes) e sai no melhor dos lucros, pois é previsto sentar em bancadas de tatame na parte alta e mais distante da plateia, e ficou muito mais original. Os ingressos mais caros (4000 ienes) são em poltronas normais.

Apresentação Miyako Odori

O tempo continuava muito ruim, ventania e chuva, então fui almoçar no lugar mais tentador da cidade, o mercado municipal Nishiki. Cores, aromas, texturas que nem imaginamos como preparar ou comer. Comprei um obentô frio e meia duzia de takoyaki (bolinhos de polvo com molho agridoce e gengibre). Comi na rua mesmo, vendo a chuva fazer os mercadores correrem e proteger seus produtos.

Nishiki Market

Nishiki Market

Quarta-feira pela manhã fui ao parque Maruyama, com belos jardins de pinheiros, muitos já guardavam lugar sobre tapetes plásticos azuis para o "hanami", que é contemplar as cerejeiras, comer e beber com amigos e famílias.



A tarde foi dedicada ao caminho da Filosofia, mas as sakuras ainda não estavam todas abertas por conta da temperatura um tanto fria. O caminho de 1,5km margeando um riacho que foi transformado por um professor de filosofia cerca de cem anos atrás. Há boas lojas de souvenir e cafés.

Caminho da Filosofia

Um lugar muito interessante é o templo Fushimi, onde há uma sequência de Tori (portais vermelhos) em caminhos sinuosos por 4km. Subi até o topo, uma escadaria por quase 400 mt, a vista é muito bonita.

Fushimi

E nesta semana o Palácio Imperial estava aberto a visitarão publica, mas a chuva não ajudou nas fotos e passeio pelos jardins. Por fim, a tarde foi hora de conferir o parque Arashiyama, no lado oeste da cidade.

entrada do Palácio Imperial

Arashiyama

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Nara
07/04/2012

Pela segunda vez fui ao imponente templo Todaiji e não pude conter a emoção de ver o Grande Buddha. Considerada a maior estrutura em madeira, e sem nenhum prego, na mão deste Buda podem sentar cinco pessoas.



Os cervos são animais sagrados ao Budismo e ficam soltos pelo parque antes da entrada do Templo.


Há uma loja no caminho da estação que mostra como se faz "motchi", bolinhos de arroz, batendo a massa num pilão. Os turistas param na rua para ver a brincadeira e experimentar os doces. Na loja ao lado, tem uma senhora que vende biscoitos estilo sembei, de arroz e temperos, muito crocante. Experimentei o de gergelim, chili e alga nori.


E na sorte, encontrei uma turminha de Cosplay, uma tribo que se fantasia de personagens de mangás e outros personagens.



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Monte Fuji
08/04/2012

Sai pela manhã de Quioto em direção ao Fuji, levando cinco horas entre trocas de trens e esperas. Vir de Tóquio é mais fácil, leva uma hora e meia. Hospedei-me numa cidade chamada Fujiyoshida. À tarde fui ver o por do sol no mirante Sengen Pagoda e o cenário é magnifico! O Fuji tem a forma cônica mais perfeita de todos os vulcões e sua altura chega a quase 3800mt.

Sengen Pagod

Sengen Pagod


Direção: lago Kawaguchiko, para o passeio dos lagos em torno do monte Fuji. Chegando na estação que leva o mesmo nome, encontrei dois tipos de passeio, um para o dia todo e somente o lago Kawaguchiko, custa 1000 Ienes. O outro inclui o lago Saiko por 1300 ienes e vale por dois dias. Comprei o segundo passe para conhecer os dois lagos de uma vez só. A principio, as informações não são muito claras, mas a moça da estação me indicou a caverna dos morcegos e um vilarejo/mirante com artesanato e comidas locais. O ônibus tipo jardineira é hop on hop off, ou seja, você sobe e desce nas paradas do trajeto. Tive sorte, dia de sol, tempo fresco e o cenário é espetacular. Há ainda uma subida de teleférico até um mirante (700 Ienes).

turistas de Taiwan


vista do teleférico

Este lago é um grande balneário e acredito que durante o verão muitas atividades de lazer aconteçam, pois o numero de hotéis, barcos, restaurantes é muito grande.

o ônibus do passeio


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Nikko
10/04/2012

Saída de Fujiyoshida pela manhã até Nikko. O trajeto foi um tanto longo, quase cinco horas entre trens e esperas nas estações. Chegando ao albergue, um belo cenário em meio a florestas de altos pinheiros cortada por um rio de águas cristalinas. Fim da tarde foi apenas o momento para descansar, apreciar a paisagem em torno do albergue, pois no dia seguinte haveria muito para explorar os patrimônios da Unesco.


No dia seguinte sem muita sorte, o dia inteiro foi de chuva. No programa, o Toshogu, templo Rinnoji e Taiyuin. O mausoléu Toshogu de Ieyassu Tokugawa é considerado patrimônio por sua história e riqueza de detalhes.












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Tóquio
12/04/2012

Hora de deixar Nikko. Tomei o Shinkansen até Tóquio, chegando por volta do meio-dia. Deixei minha mala num locker (500 ienes) na estação Ueno e fui passear. E nada mal para um dia de sol comer um obentô no parque Ueno, ver a freirinha de antiguidades e ir até o templo Sennoji, famoso pelo lanterna vermelha gigante. Os amigos que me hospedaram ainda estavam no trabalho e tive de esperá-los.

Templo Sensoji

Templo Sensoji
Sky Tree e Sensoji

Explorar um pouco os bairros de Roppongi, Shibuya e Harajuko ficou para o penúltimo dia da viagem. Em Roppongi os jardins de Tokyo Middtown são muito elegantes. Harajuko é onde as tribos das garotas vestidas de bonecas, os moderninhos e as lojas de grifes se encontram. Em Shibuya, a moçada se encontra a noite para as baladas e bares e é lá onde tem travessia de 1500 pessoas ao mesmo tempo.

Praça em Roppongi



Hachiko, em Shibuya

Parque Ueno

Harajuko

Sábado a noite, saímos para jantar num sushi bar, aqueles que os pratos ficam rodando. Para três pessoas foi cerca de 25 euros, chama Himawari e a seleção do Santos marcou presença.




Depois do jantar, que tal um sorvete tipico italiano em plena Tóquio?! Não deixa nada a desejar do original.



Confira mais fotos aqui

Certamente, há muito mais para se falar desta megalópole incrível e ficaríamos horas ou dias falando sobre ela! Mas domingo dia 15 foi hora de volta para casa, uma viagem realmente fascinante.


Em resumo...

Em nenhum momento teve algo negativo, algo que desagradasse, mesmo as esperas e trocas de trens foram válidas para apreciar e analisar o jeito desse povo. O que mais me impressiona é a questão urbana e comportamental das pessoas - a gentileza nos atos, a discrição, o silencio, a educação e o respeito ao próximo. Mal humor e agressividade parecem não existir. Em cada loja, um "bem-vindo", "obrigado", um "desculpa" por não ter tal produto procurado acompanhado de um sorriso. Marketing? Não, é hábito, mesmo nas pequenas cidades. A dinâmica e os conceitos de relações são bem diferentes.

Nas estações de trem impera a limpeza e pontualidade, não existe vandalismo. A estética prevalece, tudo é leve, tranquilo, jardins bem cuidados, ruas e calçadas sem buraco ou desnível em respeito aos idosos, que não são poucos. Os albergues são limpos e seguros. Em Quioto, o motorista de ônibus usa luva, terno e gravata e avisa quando vai partir ou virar a esquina. A arte na gastronomia é impressionante, a sutileza e a beleza das formas e cores combinam com as estações do ano. Certamente, existe seu lado B em algum momento, mas como mencionado, a estética fica em evidencia. Voltar pro ocidente parece, por vezes, um retrocesso e saber que temos muito, mas muito para aprender em termos de civilidade. Mas isso, é outra história!

Cool Japan 2013 à vista!

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